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O dia em que meus fones de ouvido salvaram minha vida


  Essa é uma dessas típicas historietas que nos acontecem apenas uma vez na vida e que, a partir daquele momento, teremos uma visão diferente das coisas. Outros dirão que esta é apenas mais uma história para contar nas festas de ano ou no Natal entre os familiares, do tipo “é pra ver ou pra comer” e essas outras insanidades, que só começam a ter graça depois da décima taça de champanhe.
 Mas que dizia? O sim, a história, vamos a ela. Estava no transporte coletivo, com meus fones de ouvido, coisa que sempre uso, na verdade eu nem ouço coisa nenhuma é apenas pra não ter que, eventualmente, conversar com algum estranho (ou conhecido, não sou muito de conversas públicas). No dia em questão, com os fones nas orelhas, como de costume, sentou-se um senhor, bastante consternado e tremendo um pouco, aparentemente  estava sob efeito de alguma droga.
fones de ouvido salvadores
   Pois bem, esse senhor, sentou-se no banco ao meu lado, percebia que ele queria conversar (se é que isso era possível no estado em que ele estava) porque de vez em quando ele olhava para mim, como que com algum segredo que só contaria para mim  e não queria que ninguém mais soubesse. Ele olhou de novo, de novo e de novo, e percebendo que eu não tiraria meus fones e aparentemente não estava lhe dando a mínima, levantou-se e foi se sentar ao lada de uma senhorinha, dessas religiosas, de terço e tudo sabe?

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  Em alguns minutos nosso amigo começou. Abriu a boca e falou uma quantidade enorme teorias sobre o que era cada coisa e porque acontecia isso ou aquilo. Uma delas dizia respeito ao porque dos carros terem o teto do mesmo material que o resto, o que, segundo ele, era uma medida do Governo Imperial Secreto para inibir o ataque de extraterrestres. Esse era um dos motivos para os governos não investirem em transportes alternativos como bicicletas ou outros tipos de carros. Para ele apenas os conversíveis não tinham caído na armadilha do Governo Imperial. Bem, as teorias desse doido (embora, estranhamente tudo que ele disse possuia alguma lógica) dariam outra crônica. Talvez conte essas teorias ao meu amigo Chaguinha e ele, sob efeito de algum chá possa escrever-lhes.
  Cabe terminar a crônica, pois o seu tempo não é capim e também tenho mais o que fazer. Então como dizia, esse senhor começou sua narrativa de tramoias e armações que durou algo em torno de meia-hora, eu já estava para descer em meu ponto, felizmente pude ver o desenrolar da história. No meio dos desvaneios do doido a senhorinha começou a falar sobre as bençãos do Senhor para a vida dele e que Deus poderia restaurá-la. Em meio ao falatório, de ambas as  partes, de repente o louco pega a bolsa da senhora e dá-lhe um tiro no meio da testa, dizendo para mulher ir conversar com Deus pessoalmente, pela expressão dele parecia que ele estava fazendo-lhe um favor . Daquele dia em diante sempre ando com um fone a mais na bolsa.


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