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Morte acidental

       
  Enquanto ele falava, eu arrumava a churrasqueira até que todos viessem. Era uma típica festa de firma, onde as pessoas vão para encher a cara e esquecer os problemas. Comer alguma coisa e ir embora. O almoço estava marcado para uma hora da tarde, eu cheguei mais cedo para ajudar nos preparativos, porque era minha tarefa já que era o mais novo no trabalho. Ele já tinha tomado alguns copos de whisky, sua esposa estava dentro da casa preparando os outros itens da festa. Já bêbado, ele entrou na piscina, aí começou a pedir para eu contar quanto tempo ele ficava sem respirar debaixo d’agua. 30 segundos, 25 segundos, 10 segundos. 
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- Você é muito ruim nisso. Disse eu. 

Ele então me desafiou, pegou um relógio desses com cronômetro e começou a contar. Meu melhor tempo foi um minuto e quinze segundos. Ele disse que conseguia isso, mas que eu teria que baixar a cabeça dele, para que não voltasse antes do tempo. Ele era alto, branco, magro, chamavam-no de boneco de Olinda, quando não estava por perto é claro. Fiquei com o cronômetro na mão, apertei o botão e empurrei a cabeça dele até ficar completamente submerso. 30 segundos, 45 segundos, 1 min e meio. Como ele não me deu nenhum sinal, continuei a contagem e a manter sua cabeça debaixo d’água. Não sei como ou porque, me distraí, pensei em alguma outra coisa, agora não vou lembrar. Quando puxei a cabeça dele vi que não tinha resistência. Ele já não estava mais vivo, tinha morrido ali na piscina, da forma mais estúpida possível. Quando parei, o relógio marcava cinco minutos. Cinco minutos. Cinco minutos. Disseram que a água tinha entrado nos pulmões dele. É obvio que não disse que estava segurando sua cabeça. Apenas disse que estávamos brincando e como ele não subiu de volta, resolvi puxar ele, mas já estava morto.



este conto faz parte de uma série, que será postada em breve
possivelmente em formato e-book gratuitamente. 
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Mariana, Machado de Assis

CAPÍTULO PRIMEIRO
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ausência. Tinha saído do Rio de Janeiro em 1872, e contava demorar-se até 1874
ou 1875, depois de ver algumas cidades célebres ou curiosas; mas o viajante põe
e Paris dispõe.  Uma vez entrando naquele mundo, em 1873, Evaristo deixou-se ir
ficando, além do prazo determinado; adiou a viagem um ano, outro ano, e afinal
não pensou mais na volta. Desinteressara-se das nossas coisas; ultimamente nem
lia os jornais daqui; era um estudante pobre da Bahia, que os ia buscar
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