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Pouco pão, muito circo e dois dedos de água



Ah, a Copa do |Mundo! Que maravilha! Os jornais não noticiam mais medidas do Congresso, mandos e desmandos do governo, nem falcatruas que acontecem nos quatro cantos do país. Tudo são flores e vinho tinto, ou, abrasileirando as coisas, flores e caipirinha. Está tudo as mil maravilhas no país da copa. Alegria, alegria, alegria... Mas esperem!!!
 
Os impostos continuam levando SEIS MESES do nosso trabalho, o governo continua dando nosso dinheiro para tentar fazer nos últimos meses o que ele não fez em quatro anos de mandato. E, continuamos mudos e estáticos diante de toda a roubalheira que nossos governantes protagonizam. Infelizmente, o ópio do povo, aqui no Brasil, além da religião, é também o futebol. Felizmente, ou não, não me viciei nessa droga, tão letal e nociva aos nossos cérebros e espíritos, e consigo enxergar com bastante nitidez o que está se apresentando á nossa frente.
 Realmente, o drogado não possui nem os meios nem a vontade para ver além das alucinações provocadas por sua droga. Enxergam, a bem dizer da verdade (como diria o coronel/lobisomem), apenas aquilo que querem, vêem aquilo que lhes agrada, ouvem aquilo que lhes aprouvem (vide dicionário Aurélio) e são dirigidos como ovelhas para o abate.
 
O pouco pão, a qual me refiro no título deste desabafo da meia-noite ( na verdade já passa de 1 da madruga!), não é o pão necessariamente falando, não apenas ele, mas ele também. Me refiro ao preço dos alimentos, que continua a preocupar as donas e donos de casa, quando os mesmos saem para suas compras do mês. Não que eu tenha pesquisado, analisado números ou estatísticas, digo isso apenas por minha experiência própria, e muita das vezes, nossas experiências são mais reveladoras que qualquer pesquisa de preços. O mínimo que o ser humano precisa pra sobreviver, o vital para garantir sua existência, está ficando cada dia mais caro, isso sem falar em outros itens, como por exemplo, os eletrodomésticos, os têxteis e tantos outros. Aí você vem me dizer :
 - ah, ainda bem que o IPI dos carros continua reduzido

E aí meus amiguinhos, tenho que demonstrar minha sincera e profunda descrença, pois o IPI reduzido continua até que dia? 31 de dezembro, parece até piada, enquanto houver governo PT vai haver IPI reduzido, a mensagem á população é clara. Mas a estratégia do nosso amiguinhoGuido Mantega, é tão inteligente quanto ás estratégias adotadas anos atrás por nosso Marechal Deodoro da Fonseca que culminaram no famoso Encilhamento. Pois bem, agora que o IPI está reduzido, é previsível que os brasileiros comprem mais carros, que a industria cresça e se fortaleça, mas e depois? Depois, ficará na conta do Julio César, meu amigo, por ter dado poder ao vil metal. As empresas começarão a ficar com os estoques cheios e o brasileiro, com o IPI aumentando, vai deixar de comprar os carros. Simples não?

 Infelizmente, nosso amigo ministro, não enxerga a obviedade da situação, assim como o pessoal de Minas e Energia não viu que a baixa nos preços da conta de energia, medida extremamente popular, causaria um aumento expressivo nos preços, quando as hidrelétricas estivessem sem seu combustível principal em alta, A ÁGUA. E aqui chegamos, ao final do titulo, os dois dedos de água que mencionei.


Algumas semanas antes das emissoras de TV entregarem o ópio ao povo, estavam as mesmas, noticiando a estiagem histórica em São Paulo, que deixou o Sistema Cantareira com uma retirada de 64% a mais do esperado, além disso, a nossa Copa do Mundo, trouxe milhares de turistas para São Paulo, nos cinco jogos que foram realizados lá, o que agravou ainda mais a situação do Cantareira. Estudos da PCJ ( Consórcio intermunicipal das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) apontam que o volume útil do Cantareira chegará a zero entre os dias 7 e 8 de julho, e aí meu amigo, a coisa vai ficar bem feia. Sorte nossa que temos MUITO CIRCO, no caso, muita copa, para esquecermos dos problemas reais do Brasil. O principal problema do nosso país, atualmente, é saber se o Neymar vai estar 100% no próximo jogo.   

Crônica escrita em 2014 sobre a Copa do Mundo no Brasil. Por Topogigo das Neves Milhomem








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