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Os Radares Imaginários

 Começo aqui a primeira crônica das Aventuras de Topogigo na cidade de Thor. Cidadezinha do interior do Brasil, com grande movimentação turística e trajeto de grandes exportadores, faz fronteira com três estados de duas regiões de nosso pacato país.

  Topogigo e seu amigo Chaguinha vivem as mais incríveis aventuras e utilizam suas habilidades para resolver vários casos.(guardarei essa frase pra quando sair nosso filme na Sessão da Tarde ;)

 Hoje, relato aqui o dia em que eu (Topogigo) estive conversando com Amadeus Milhomem, prefeito da Cidade de Thor.

Era o começo do ano de 19-- na Cidade de Thor. A cidade se preparava para o carnaval fora de época, que inclusive ocorria antes e depois do Carnaval em si, eta povo que gosta de carnaval, dirá um gringo desavisado ou algum hater de plantão. Não que eu aprecie tanto assim o carnaval, mas temos que entender que o carnaval, principalmente em cidades pequenas, movimenta a economia. Ocorre porém (há sempre um porém) que com a movimentação de pessoas também aumentam os acidentes de trânsito.

 Como já dito no primeiro parágrafo, e estou repetindo nesse porque estou com deficit de atenção, nossa pacata cidade faz fronteira com três estados, assim sendo, a movimentação de caminhões de carga é muito intensa, mesmo com o pessoal preparando-se para o Carnathor (o nome do evento!) as cargas têm que ser entregues.

cronicas-da-cidade-@cronicasdacity-radar-radares-cidadedethor-carnaval-radio Depois de alguns anos à frente da prefeitura, Amadeus percebeu que o número de acidentes em "sua" cidade crescia exponencialmente e que, como prefeito, deveria tomar alguma medida para diminuí-los e assim fez nosso amigo. Uma semana antes do  Carnathor ele anuncia a instalação de Radares Eletrônicos, popularmente chamados de pardais. Um detalhe, os pardais foram instalados em pontos não informados, ou seja, o camarada não vai saber onde estão os danados.

 Muitos moradores ficaram indignados e alguns chegaram ao cúmulo de dizer que a cidade iria parar, vejam só! A notícia da instalação dos pardais rodou a cidade e em pouco tempo todos os moradores já sabiam. Acontece que, segundo Amadeus, os acidentes não diminuíram, incrivelmente, ocorreu o inverso, eles aumentaram. É que alguns "espertalhões" haviam dito que os pardais só pegam um veículo por vez e só do lado esquerdo, assim alguns motoristas faziam as maiores loucuras para tentarem ir para pista da esquerda e acabavam provocando um acidente. Como não haviam notícias de ninguém recebendo multa por velocidade, os thorinenses (quem é natural da cidade de Thor) acabaram por não dar mais "moral" para os pardais. Lembro aqui que na época em questão, 19-- o sistema eletrônico de monitoramento era uma novidade. Não cito a data exata para que tu não se metas a procurar pelo nosso prefeito e amolar-lhe a vida.

 Então, em um belo dia ensolarado (ops, trecho errado)... Chaguinha, que fazia bico de locutor/radialista na Thor FM (também não adianta pesquisar essa rádio) recebe uma entrevistada em seu programa. Essa senhora alega que recebeu uma multa extratosférica (a mesma dificuldade que você teve pra falar eu tive pra escrever) porque havia dirigido 10 km acima do permitido em uma avenida.
 - Conte para a rapaize em esperta da cidade de Thor, dona Paula, que que aconteceu? -perguntou Chaguinha.
 - Ora essa, me multaram em quase trezentos contos só porque fui a setenta numa pista de sessenta. Achei totalmente desnecessária essa multa, afinal não machuquei ninguém e jamais tive problemas no trânsito.
 - Pra tudo há uma primeira vez dona Paula. (risos forçados do locutor)... mas conte aí pra galera, a senhora não foi pela pista da esquerda? Porque, segundo contam se o motorista pegar a pista da direita o Pardal não pega.
 - Tudo lorota desses feudaputa (sic)! eu andei na pista da esquerda e tinha uns dois carros junto comigo e ainda me pegaram.
 - Dois carros? Mas a senhora estava era fazendo um "pega" então.
 - Olhe, me respeite seu Chaguinha, que eu não sou dessas.

 Chaguinha ainda enrolou a senhora no estúdio por meia hora, falando sobre outras coisas. Quando os thorinenses ouviram a história de Paula ficaram apavorados.
 - Oxe. Trezentos pila, marmoço (sic), eu ando a pé mas não pago uma multa dessas - disse um.
 - Diabo de pardal dos infernos, agora vamos ter que dirigir como crianças - afirmou outro (não sei como criança dirige mas...).

 Depois dessa, todos os motoristas começaram a andar na linha e mais tarde os acidentes haviam diminuído bastante. Muito tempo depois de Amadeus terminar seu mandato, Chaguinha me contou que achava Amadeus um gênio e lhe perguntei o porquê.
 - Rapaz, naquela época nem cidade grande tinha os tais pardais, como você acha que Thor conseguiu pagar por aquilo?- disse-lhe que não tinha idéia.
 - Muito simples, não pagou. Na verdade, não tinha pardal algum na cidade. O prefeito apenas jogou a notícia no ar para que as pessoas dirigissem devagar e assim diminuir os acidentes.
 - Mas e a tal da Paula? - questionei-o.
 - Ora, essa foi paga para dizer aquilo tudo, e cá pra nós, eu também levei o meu.
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não pensou mais na volta. Desinteressara-se das nossas coisas; ultimamente nem
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