Pular para o conteúdo principal

O cão Pidão e o mendigo Fedorento

cachorro-cão-mendigo-fedorento-cronica-cronicasdacidade-@cronicasdacity-chaguinha-fones-de-ouvidos-topogigo-das-neves
Gosto de observar o que acontece ao meu redor e vez ou outra vejo coisas muito impressionantes, situações que aqueles que estão a  minha volta não conseguem perceber. Pois bem, outro dia peguei um ônibus (é meu meio de transporte, fazer oquê?), sentei no banco próximo à janela e pus meus fones de ouvido.

    Algumas ruas depois de minha casa vejo um homem, com a barba até o pescoço e um cachorro seguindo-o de um lado para o outro, percebo que, contrariando o senso comum, o cão é quem procura comida e entrega ao homem. Animais alimentando humanos, essa é a nossa era, o que dizer? Depois de alguns dias passando sempre no mesmo local á noite, entendi o esquema dos dois (do cão e do homem).  Aparentemente há um bar que vende espetinhos nos arredores e cabe ao cão abanar o rabo e pedir comida aos fregueses do estabelecimento. Depois que consegue  o espetinho o cão corre para o dono e este tira uma parte e lhe dá outra. Certo dia, resolvi falar com o camarada pra saber como ele treinou o cão, puxar um papo. Ele me contou que começou pedindo ele próprio aos clientes, mas que estes não lhe davam muita coisa e vez ou outra lhe chamavam de vagabundo e fedorento. Já a essa época ele tinha o Pidão (nome do cachorro) e repartia o que conseguia com ele. Depois de algum tempo ele percebeu que seria mais fácil fazer o cão pedir comida e depois comer o que ele conseguia.
 Um amigo meu, Chaguinha, ouviu essa minha história e decidiu também fazer uma visita aos dois. De posse de um cogumelo "sagrado" da Terra de Mario Bros ele disse que conversou com Pidão. Se ele realmente conversou ou teve uma alucinação não cabe a mim prospectar. O que me disse que disse que disse que disseste que disse que disse... desculpe tenho visto muito o seriado Chaves ultimamente. Enfim, que dizia? ... Ah sim, Chaguinha me disse que o Pidão lhe havia dito que a vida com Fedorento (nome que Pidão dera a ele) era boa, Pidão arranjava a comida e tinha que dividi-la, mas em troca Fedorento arrumava abrigo, o protegia dos outros cães de rua e lhe dava afeto e atenção.

  Pidão conta, segundo Chaguinha (tá parecendo jornal de repartição pública, "segundo fulano tal", mas aqui é essencial ressaltar que as informações possuem uma fonte fidedigna e confiável), ele conta que em um dia estava chovendo muito e tinha sido arrastado para dentro de um bueiro, e que só sobreviveu por causa do homem. Daquele dia em diante ele nunca mais abandonou o homem. 

2 comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Coxinha Estragada

Acordei tarde hoje e desobedecendo meu costume não fiz almoço, então fui á lanchonete da quadra comer um salgado. Não que eu seja do tipo que se satisfaz fácil (as "primas" da zona que o digam), mas ordinariamente não como muito no almoço, prefiro comer mais na janta, assim posso dormir de "bucho cheio" como diria seu "Maneu".

 Quando cheguei havia apenas uma coxinha na estufa, e estava exuberantemente convidativa, talvez pela minha fome, ou por ser a última, o aspecto geral me agradou. Também me agradou a moça que estava atendendo, bastante simpática, bonita a bicha ó, dessas de tirar o fôlego. Aparentemente estava em treinamento, porque tinha uma senhora de mal-humor e um cigarro, inapropriadamente perto da comida, na boca, que lhe dizia tudo o que ela tinha que fazer.

 Peguei a coxinha, paguei e fui andando e comendo, pouco depois da segunda mordida, quando chegamos na parte do recheio, para minha decepção o frango estava azedo e quase vomito ali mesmo.…

Caderno 1

Cadernos do Cárcere_ offline
 O primeiro, tal qual o último, que também não consistia em nada. O título é esse mesmo que vossas senhorias conhecem dos espólios narrativos dos professores de ensino médio, ou daqueles que ensinam “humanas” nas universidades públicas país afora.
 Em que consiste? Bem, afigura-se que estou sem internet e na falta de qualquer outro atrativo resolvi escrever-lhe, diretamente do cárcere do mundo off-line, vejam o drama! Teorizar a situação em si e conjecturar sobre as possíveis implicações de um mundo sem internet seria uma forma fácil e rápida de encher a tela com palavras, mas não faço. Primeiro por respeito a quem por ventura vier a ler isso, segundo porque não estou completamente certo se sairia alguma coisa substancial dessa empreitada.
  Se não vamos teorizar o mundo “off-line” e nem nada do tipo, que diabos vamos escrever? Bem, o esquizofrênico que por ventura ler, ouvir ou captar esse texto, provavelmente vai se perguntar quem está escrevendo (porq…

Morte acidental

Enquanto ele falava, eu arrumava a churrasqueira até que todos viessem. Era uma típica festa de firma, onde as pessoas vão para encher a cara e esquecer os problemas. Comer alguma coisa e ir embora. O almoço estava marcado para uma hora da tarde, eu cheguei mais cedo para ajudar nos preparativos, porque era minha tarefa já que era o mais novo no trabalho. Ele já tinha tomado alguns copos de whisky, sua esposa estava dentro da casa preparando os outros itens da festa. Já bêbado, ele entrou na piscina, aí começou a pedir para eu contar quanto tempo ele ficava sem respirar debaixo d’agua. 30 segundos, 25 segundos, 10 segundos. 
- Você é muito ruim nisso. Disse eu. 
Ele então me desafiou, pegou um relógio desses com cronômetro e começou a contar. Meu melhor tempo foi um minuto e quinze segundos. Ele disse que conseguia isso, mas que eu teria que baixar a cabeça dele, para que não voltasse antes do tempo. Ele era alto, branco, magro, chamavam-no de boneco de Olinda, quando não estava por …