Aí me vêm á cabeça, milhares de
arrependimentos, de escolhas mal feitas, lutas perdidas, batalhas não
enfrentadas. A culpa pelos erros cometidos é angustiante, mas pior é a sensação
de não ter vivido. Talvez algum religioso, possa dizer que o “céu” deva ser
construído aqui na Terra e que as “escadarias para o paraíso” são feitas
diariamente. Não lhes tiro sua razão, e
ainda lhes dou a minha. Afigura-se, infelizmente o uso da palavra me é um cacoete
invencível, então irei utilizar esta mesmo, e que o leitor não se aporrinhe pela
frase desnecessária que acabou de ler. Afigura-se, que arrepender-se de algo
que fizemos é um traço comum a todos, por mais celibatários que possamos ser, e
aqui me refiro ao sentido de regrar-se não apenas de modo sexual. Por mais íntegros
e retos que consigamos ser, sempre vai haver aquele grão de culpa ou remorso
por algo que você fez.


Procura em tua cachola desmemoriado
leitor, algum arrependimento que cometeste algum pecado ou erro que, se tivesse
a oportunidade não teria feito daquela forma. Alguma coisa deve ter lhe passado
na cabeça, pois bem. Essas coisas, por mais terríveis que possam ter sido, por
mais deploráveis moralmente, são parte daquilo que você é ou foi ou estava
predestinado a ser. Se o ato que você praticou, o fez por livre e espontânea
vontade, ainda que tenha te dado consequências ruins ou inesperadas (que às
vezes podem ser boas), a ação por ti praticada é tua, é algo da tua vivência,
algo que você deverá prestar contas, caso o bendito juízo final chegue. Aliás,
o que estão fazendo nossos administradores celestiais que não mandam logo o
apocalipse começar? É bom, tem quem diga que já começou e nós estamos tão
alienados que não vemos, mas deixemos as teorias de lado e vamos a conclusão
desse imbróglio narrativo, que se já não enfadei o leitor, vai achar no fim o
mesmo que achou no começo.


Alonguei-me
no texto para dar prova do que escrevi. Melhor arrepender-se do feito (mal
feito) do que do não feito. Melhor será meu pobre e desenganado amigo, prestar
contas dos teus atos inglórios, que das tuas faltas sábias. Melhor pecar pelo
excesso que pela omissão. Posso passar o dia a citar provérbios populares que
asseguram o que estou a dizer. Mas que sabem os ditos populares? Nada, mas
novamente, há um que diz que o sábio aprende pelo erro dos outros, o médio
pelos próprios erros e o burro, ainda que erre, permanece sem aprender nada.
Creio que não existam sábios nesse mundo. Ainda que a frase venha a calhar e
faça todo o sentido, a sensação que a experiência traz é única e extasiante. Dar
de cara com o muro apenas para poder se curar do baque depois. Sentir a
inefável dor de um amor não correspondido, sabendo assim como é não
corresponder ao amor de outra pessoa.

Creiam amigas, amigos, e inimigos de
ambos os sexos. O ser humano é um ser de experiências. Nada que você lê, ouve
ou presencia é tão poderoso quanto a própria experiência pessoal. Os sentidos,
a bagagem do know-how, a perícia, o treino, a prática, o conhecimento. Ensaio,
tentativa e erro, a prova o teste, a tese, o saber, o traquejo ou a tarimba,
que segundo mestre Aurélio significa “preparação ou conhecimento decorrentes de
larga experiência em alguma área ou função”. Daí a expressão “já estou tarimbado”. Mas que
dizia? Não te lembras? Deixaste o texto para ler a mensagem do seu grupo no
whats? Pacato e desatencioso leitor, dizia eu: que terminaria o texto com o
mesmo que o senhor viu no começo, neste caso a letra A. Mas vou ignorar a regra
gramatical e não colocar o ponto, porque iniciei sem ponto e assim termino. A
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